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Bem me quer

Bem me quer

Sex | 02.03.18

G U E R R A

 

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Existem imagens que não deviam de existir. Existem sentimentos que não têm palavras suficientes para serem descritos.
 A imagem de guerra não tem palavras suficientes para a legenda ou talvez não existam.
 Crianças que não são crianças, não sabem o que é brincar ás escondidas, apenas sabem o que é se esconderem de homens armados sem alma. Não conhecem o som do fogo de artificio, apenas conhecem o estrondo das bombas que caiem do céu sem avisar.

 São imagens que jamais deviam ser abertura do jornal das 20h. São imagens da ganância do homem, dos interesses políticos e económicos. Imagens provocadas por homens que não merecem respirar, não merecem nada do que têm. Só estão bem a provocar o terror alheio.

 São casas que já não têm porta para esquecer o mundo que é tão cruel ali. Casas que deixaram de ter vida, de ter as gargalhadas em família como fundo, deixaram de ter a corrida das crianças como desassossego.
 São casas que hoje não passam de pó.

São cidades que deixaram de ter vida, mas que têm um silêncio que tem mais vida do que a multidão junta. Tem tristeza, tem revolta, tem terror, pesadelos.

 São imagens de crianças que são filhos da guerra. Guerra essa que nenhum pediu. São crianças que têm um olhar profundo, triste e sombrio, olhar esse que não tem sonhos e que nenhuma criança devia ter.
 Olhar que pede ajuda e ninguém ajuda.
 São imagens de pais que carregam os seus filhos no meio de armas, são filhos que choram por cima da mãe no meio de uma rua que hoje é apenas memórias do que foi um dia.
 São imagens com diferentes cenários, diferentes pessoas, mas todas sofrem do mesmo, todos fogem do mesmo, todos sonham com o mesmo. Que acabe.

 Os bombardeamentos deixam de ser em céu aberto e passam a ser onde todos procuram ajuda, os hospitais deixam de ser seguros, são o primeiro alvo destes homens que se dizem grandes e inteligentes, mas na verdade não passam de animais. Animais ruins, sem coração que só estão bem a fazer mal aos outros.

 São imagens que jamais deviam ser vistas e vividas e a pergunta que paira no ar durante este tempo todo: até quando?

 O ser humano nasce para ser livre, para viver e ser feliz. Não nascem para serem apenas números ou uma estimativa.
 Nascem para brilhar, para ter histórias para viver e conta-las com orgulho com alegria, não nasceram para viverem cada dia como fosse o último.
 O ser humano é o mais cruel, mas até quando?
 Quando é que estas pessoas que tantas histórias têm para contar, que tanta vontade têm para viver vão conseguir ter paz? Quando é que vão conseguir erguer novamente as paredes de suas casas e descansar destes anos todos de pesadelos?

 Até quando vão existir estas imagens sem legendas possíveis?